Impasse político na Irlanda

«Vencedor» chumbado<br>no parlamento

A candidatura a primeiro-ministro do democrata-cristão Enda Kenny, líder do Fine Gael (FG), partido que venceu por estreita margem as eleições legislativas de 26 de fevereiro, na Irlanda, foi rejeitada, dia 10, no Dáil, câmara baixa do parlamento.

Na primeira sessão da nova legislatura apenas 57 dos 158 deputados votaram a favor de Kenny, forçando o hemiciclo a considerar os três restantes aspirantes ao cargo.

Os restantes candidatos são Micheal Martin, líder do Fianna Fáil (FF), o segundo partido mais votado; Gerry Adams, líder do partido do Sinn Féin, terceira força política, e Richard Boyd-Barrett, dirigente da Aliança Anti-Austeridade – Pessoas Antes dos Lucros (AAA-PBP).

Até ao momento nenhum partido apresentou uma solução que garanta apoio parlamentar maioritário. Alguns observadores consideram que só a aliança entre os dois partidos de direita (FG e FF) poderá assegurar um governo estável.

Todavia, os líderes destas duas formações ainda não deram qualquer passo nesse sentido. Apesar da sua proximidade ideológica, o fosso entre os dois remonta à luta pela independência da Irlanda, que este ano celebra o centenário da revolta da Páscoa de 1916.

O Fianna Fail foi criado em 1926 por opositores ao Tratado de Londres, assinado em Dezembro de 1921, que reconheceu a independência mas impôs a divisão do país, perpetuando o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte.

O Fine Gael surgiu em 1933 pela mão dos que haviam aceitado as condições britânicas, divisão que conduziu à sangrenta guerra civil de 1922-23.

Passados quase cem anos, a questão continua viva na sociedade irlandesa e a demarcar rigidamente os eleitorados dos dois partidos.

A manter-se o impasse político, o FG continuará a governar interinamente até à convocação de novas eleições para depois do Verão.




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